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A rabugenta, na internet e fora dela

Sou rabugenta pra muitas coisas. Apesar de ser de Aquário, aquele signo que dizem que é sempre libertário, espirituoso, blablablás de toda sorte que não acredito - ainda mais por me achar o oposto de tudo isso. Sou reclamona. Me irrito com diversas coisas. E a internet e a maternidade me abriram universos infinitos de não conformismo.

Me irrito com quem chama aquela conhecida rede social de "feici". "Vi no feici". "Me adiciona no feici". "Tá lá no feici". OMG. Me irrita a falsa intimidade que o "feici" proporciona. Mantenho a minha lista de amigos bem restrita. Foi meu colega de trabalho há zilhões de anos? Não aceito. Vendeu alguma coisa pra mim? Não entra. Quer vender algo pra mim? Nem a pau juvenal. É primo do amigo da cunhada da vizinha? Sorry. Às vezes cometo o deslize de aceitar, pra riscar da lista tempos depois, exemplo: ex-colega de trabalho com quem tinha zero de intimidade cismou de curtir todas as fotos dos meus filhos, chamando-os de "fôfos" (isso, com acento). Tá bom que são mesmo fofos, mas me irritou, ainda mais depois de tê-la encontrado pessoalmente e ela comentar "que lindos, acompanho pelo feici". Ai ai, duplo erro. Deletada no dia seguinte. Outro erro grave: erros de português. Mandou um "derrepente", um mais ao invés de mas, um "quizer". Só perdôo se for muito amigo mesmo - o que nunca aconteceu, meus amigos de verdade escrevem direitinho. E se começar a apelar para o além, o divino, paifilhoespíritossanto? Olha, já disse antes, sou uma pessoa de pouca fé, mas respeito a fé dos outros e não é da boca pra fora. Mas ver coisas do tipo: "imagine se a virgem maria tivesse feito um aborto" é de chorar. Ou frases de pára-choque de caminhão: "deus está no comando". Se é que há realmente um deus por trás de tudo, ele deve ter ataques de riso vendo seu santo nome no feici associado a tanta barbaridade...

Minha filha frequentar a escola me abriu um novo leque de situações. Odeio pai e mãe que param na contramão. Eu também saio perdendo a hora todos os dias. Eu tenho um bebê que carrego comigo todos santo dia e morro de preguiça de tirar do carro. Eu também quero deixar minha filha exatamente na porta da escola pra evitar caminhadas desnecessárias sob o sol do meio-dia. Mas nunca, jamais, em tempo algum, deixo de fazer o retorno pra parar o carro na mão certa. O que percebi não é regra pra todos, especialmente para o(a) dono(a) de um SUV branco gigante que insiste em estar parado na contramão E praticamente no meio da rua todos os dias às 5h30. Agora me digam: é um bom exemplo para o(a) filho(a) dessa pessoa? Burlar uma regrinha besta de trânsito tudo bem, é a lição que fica?

Mais da escola. Ainda não fiz a sugestão, mas vou fazer na primeira oportunidade. Presentinhos de dia das mães e dia dos pais me irritam. Primeiro porque pagamos por eles, então não são exatamente presentes. Segundo porque ganhei uma pantufa tamanho GG sendo que calço 35, e minha filha quer que eu use, e quando a uso saio tropeçando em tudo por conta do pé de palhaço. Ficaria plenamente feliz, e meu marido também, tenho certeza, se ganhássemos somente lindos desenhos feitos por ela. Mais do que o gasto ou a inutilidade do presente, acho um erro perpetuar a ideia da obrigação do presente. Minha filha cantando ou um rabisco feito por ela seriam presente suficiente.

Outras situações me provocam tristeza antes de irritação. Ouvir uma grávida contando que o nascimento do bebê está marcado para o próximo domingo às 7 da manhã me deixou triste, depois irritada com o médico - se ele vai estar a postos num domingo às 7 da manhã porque não esperar o bebê dar o sinal que está pronto? (parêntese para o fato que eu não sei nada sobre a gestante, nunca tinha visto antes, e ela não estava falando comigo)

E tem mais, muito mais. Fica para um próximo post...

Comentários

  1. Cintiaaa!!!
    Imagino que não foi sua intenção, mas eu ri :P Deve ser porque eu sou meio rabugenta como você. Aqui em casa ganhei o apelido de "mamãe reclamada" certa vez, nem precisa mencionar que quase matei o marido, né?
    Também odeio essa intimidade forçada do facebook e ~ vou falar, vou falar! ~ até tive um impulso de te adicionar outro dia e desisti no meio. E olha que eu nem te conheço, mas bem achei que vc é o tipo de pessoa que gosta de preservar sua intimidade.
    Sabe o que mais me irrita? Nem é o ~acompanho pelo feice~ (ou o ~acompanho pelo blog ~ que tb escuto), mas quando outra Ilana, também psicóloga, também mãe de 2, com vários amigos em comum, vem me dizer que as pessoas dizem pra ela que adoram o blog DELA, se referindo ao meu. #odionocoração
    Beijo
    (e se quiser - na boa mesmo - me adiciona lá)

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    Respostas
    1. Hahaha! Pode me adicionar sim, Ilana! Não contei no post mas tenho alguns poucos amigos no "feici" q não conheço pessoalmente - o q nem é o problema, como eu disse o q me incomoda é a falsa intimidade. E na verdade a gente se conhece bem através dos nossos blogs, não é mesmo?
      Agora fala sério, uma homônima? Tá mais q justificado o ódio no coração! Bjs

      Excluir

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