Tenho outros assuntos na fila, mas esse passa na frente porque é recente e não quero perder a deixa.
Recebi ontem uma mensagem muito zangada da minha sobrinha, de 11 anos. Ela se queixava que a prima - minha filha de 3 - perdeu e/ou estragou alguns brinquedos dela. Aparentemente bastante magoada, e de uma forma até ríspida, me cobrava uma atitude nas nossas próximas visitas para que os fatos não ocorressem novamente. A queixa maior foi em relação a uns bichinhos ganhados pela falecida avó, minha mãe, que a minha filha ama e sempre pede quando vai lá, que foram estragados pela pequena.
Na hora me veio à cabeça uma história da minha infância, a história dos sapatinhos da Barbie. Corta para o passado, mais ou menos 30 anos atrás. Eu devia ter uns 8 ou 9, minha irmã por volta de 3. Era a época de ouro da Barbie na minha vida, tinha milhões de roupinhas, alguns móveis e acessórios, e a minha maior preciosidade: os sapatinhos. Que eram poucos, pois naqueles tempos sapatinho só vinha na própria boneca, ou em "cartelas" cobiçadíssimas e caríssimas para os nossos padrões. Enfim. Um belo dia vou à escola, na volta vou brincar com minhas amadas bonecas, qual não é a minha surpresa de ver que todas, t-o-d-a-s as sandalinhas e sapatinhos com alças estavam sem as alcinhas! Todos haviam virado tamanquinhos mullet! E ali estavam também as provas do crime: marquinhas minúsculas dos dentinhos que os haviam mutilado. Fui quente na irmã mais nova, que com cara muito inocente admitiu sim, havia "comido" os sapatinhos. Fiquei furiosa, queria matar a infratora, pedi à minha mãe mil vezes que a castigasse, chorei, sapateei, desejei ser filha única (a irmã mais velha, indiferente àquela questão de crianças, também entrou na dança), falei que ela nunca mais, never ever ever ia chegar perto dos meus brinquedos outra vez.
Fiquei ainda com mais raiva pois minha mãe achou até meio divertida a situação, e obviamente defendeu a menor. Que eu tinha que entender que ela não havia feito por mal. Mas eu não estava nem aí, ela tinha estragado meus brinquedos insubstituíveis e pronto, era uma catástrofe. Nem preciso dizer que essa história entrou para o folclore familiar, sempre lembrada quando conversamos sobre as nossas infâncias.
Volta para o presente. Pensei bastante antes de responder à minha sobrinha, também tão magoada. Embora ela seja mais velha do que eu na minha história e já nem brinque com as coisas que a prima estragou, me identifiquei com os sentimentos dela, e também com os argumentos da minha mãe. Minha filha venera a prima, quer usar e brincar com tudo que é dela, é a primeira pessoa que abraça e beija quando chegamos lá. É um pouco uma relação de irmã mais velha e irmã mais nova, apesar de conviverem relativamente pouco. Mas também é um confronto difícil para minha sobrinha, que foi única - filha, sobrinha, neta - por quase 8 anos. A diferença de idade também é ruim, nesse caso, pois os interesses já não são comuns, eu sofri desse mal a infância toda - minhas irmãs e eu temos quase a mesma diferença entre nós, pouco brincamos juntas apesar de sermos todas meninas e partilharmos muitos brinquedos.
Moral da história 1: só sendo mãe pra ter entender algumas atitudes da própria mãe. E pra mim não foi o primeiro flashback.
Moral da história 2: respondi a mensagem, de início dizendo que sim, entendia a chateação dela, que ia conversar com a Fofurica, mas que ela também era responsável pelos brinquedos. Pra ela separar coisas que ela não liga e/ou não brinca mais, e guardar bem guardado os brinquedos que têm mais valor e não quer perdidos por aí. E por último, que sendo mais velha ela deveria entender que a menor não fez por mal...
Tive apenas uma Barbie na vida, porque eu achava a boneca super sem graca. Mas a que eu tive uma vez teve os cabelos cortados por outra crianca da minha idade - uns 8, ou 9 anos - e eu me lembro muito bem da raiva que senti, porque poxa, quem disse que podia cortar o cabelo da minha Barbie? hahaha.. Engracado que so de lembrar fico indignada tudo de novo! =)
ResponderExcluirCade botao pra seguir seu novo blog, mulher?