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Mãezinha é a mãe

Pra mim começou já na maternidade. Nem bem cheguei já fui brindada com o "mãezinha", mas inocente que era, achei que era um acontecimento isolado. Aí nasceu minha filha.... e não paravam de entrar no quarto pessoas me chamando de mãezinha. "Mãezinha, pode sentar". "Mãezinha, paizinho (sim, marido também teve seu momento!), vocês podem assinar aqui?". "Mãezinha, sua bebê não está sugando direito, deixa eu ajudar" - e lá vinha uma mão desconhecida apertar meu peito, mas isso é outro assunto. "Mãezinha, vamos dar banho nessa coisinha linda?". Inúmeras, muitas vezes. Me incomodou, mas ingenuamente pensei com meus botões: deve ser coisa desse lugar, daqui a pouco vou embora e acabou-se.

Ah, santa ignorância! Basta me identificar como mãe de uma ou de outro, pronto. Consultório de médico? Batata. De dentista? Idem. Hospital, pronto-socorro? Certeza. 

Não me importo muito em ser chamada de mãe por alguém que não é um dos meus filhos. Não gosto mas não despertaria minha rabugice. Me incomoda mesmo é o -zinha. Faz soar pejorativo, pequeno, insignificante. Todo mundo que tem criança, uma ou mais, se encaixa na categoria - perde o nome, a identidade, a vez, uma espécie de prisão onde não há indivíduos, somos todas uma grande manada. A mãezinha aqui é mais uma otária na fila, esperando a vez, aguardando a mãezinha da frente que chegou primeiro. Quase dá pra ouvir uma gargalhada ao fundo... "mãezinha, você está nas minhas mãos! Hahahahaha! Se eu fizer corpo mole seu filho só vai ser atendido no ano que vem..."

Exagerado, eu sei. Já tentei ignorar, nem sempre dá (afinal, muitas vezes estou mesmo nas mãos da atendente). Se for tempo de TPM então, vontade de socar quem utilizou o apelido carinhoso universal de todas as mães. Mas vou iniciar um movimento, o "mãezinha é a mãe". Quem vem comigo?

Comentários

  1. Eu to contigo!!! Também ODEIO ser chamada de mãezinha... Esse "apelido carinhoso" diminui muito a gente né??
    Adorei o seu blog, muito gostoso de ler!!! Parece que você está falando comigo!
    Beijoca
    Debora
    http://filhosemquadrinhos.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A recíproca é verdadeira, Debora, as situações que vc põe em quadrinhos são tão parecidas com as situações que vivo em casa... só o sexo das crianças é trocado, de resto tudo igual! Bjs

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