Chefe executiva e operacional da minha casa. É o que sou de fato. Vi essa expressão pela primeira vez nesse blog, achei perfeita. Quem já trabalhou em "multinacionais de grande porte" entende perfeitamente a analogia e a ironia...
Confesso que já fiquei em dúvida ao preencher formulários que pediam "profissão". Tive vergonha de colocar dona-de-casa. Me consolei me convencendo que dona-de-casa não é exatamente profissão, e sim ocupação. Profissão é aquilo que estudei e está estampado no meu diploma, por mais que eu não a exerça. Mas minha ocupação full time nos últimos anos, de fato, são meus filhos, minha família.
Não foi algo planejado. Digamos que o fator desencadeador foi uma incompatibilidade geográfica. Pra morarmos juntos e continuarmos mantendo nossos empregos, ou eu ou meu marido teríamos que viajar todos os dias - de 2 a 3 horas cada ida e cada volta. Honestamente, não amava meu trabalho tanto assim, amava mais minha filha e meu marido. Por sorte e com muitos ajustes, um salário só era capaz de manter a casa, e essa foi a nossa opção.
Eu esperneei, sofri, procurei outro emprego desesperadamente no início. Perdi a referência, pois até então o que me definia como pessoa era meu valor profissional, o trabalho era minha segurança, por mais altos e baixos que tivesse. Mas depois de 1 ano sem encontrar o que eu queria, depois de ter me enchido de esperança e me decepcionado várias vezes, acabei meio que desistindo.
Fato é que o mundo corporativo é pouco generoso com as mulheres mães. Trabalhei em apenas duas empresas, daquele grupo de "multinacionais de grande porte", que diria até que estão acima da média em termos de benefícios. Hoje me arrependo da minha pouca compreensão para com as ex-colegas mães, não tinha ideia da complexidade e da mudança de valores que nascem com um filho. Hoje também sei que não daria conta do ritmo de trabalho que levava mais meus filhos - um dos lados certamente sairia perdendo. E me conhecendo como me conheço, acabaria vivendo eternamente entre a cruz e a espada, com medo de estar alternadamente negligenciando meus filhos e meu trabalho. Isso porque nunca fui super ambiciosa profissionalmente falando - queria apenas meu trabalho bem feito e o reconhecimento disso.
Ainda me incomodo com os comentários e perguntas, assim como me incomodei com a surpresa das pessoas à minha volta quando assumi de vez o cargo de CEO da minha casa. Comentários do tipo "você estudou tanto, vai deixar tudo pra trás?" (o que estudei ainda carrego comigo, talvez meio enferrujado e coberto com teias de aranha, mas o cérebro ainda está aqui. Eu acho.), "você vai ficar só em casa?" (como se fosse pouco trabalho), "não se importa do teu marido te sustentar?" (de verdade, não. Nem ele se importa, nosso casamento é uma parceria, não o INSS). Engraçado como cuidar dos filhos pessoalmente é pouco valorizado. Considero meus filhos privilegiados por terem a mãe tão disponível. E eu me considero muito além de privilegiada, por poder acompanhar a vida deles tão de pertinho. Sem dúvida sou eu quem mais os conhece, quem mais sabe deles - não é ninguém do berçário, não é babá, não é avó, sou eu. E adoro isso.
É o suficiente? Por ora, até agora, tem sido. Tenho sentido uma inquietação, uma vontade de sair de casa, de retomar esse outro lado meu. Financeiramente também tem feito falta um segundo salário aqui em casa, não minto, embora tenhamos nos adaptado bem. Vai chegar a hora, eu sei, de tomar uma decisão novamente. Aguardemos...
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