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Escolhas maternas e histórias reais

* Post inspirado nesse aqui, da Ilana, que por sua vez recomenda esse aqui, da Claudia Rodrigues.

Eu avisei que escreveria sobre assuntos maternais... e estou me coçando pra escrever desde que li os posts mencionados acima. Leio e escuto tanta coisa por aí, é um alívio ver uma  mãe partilhando sua história real, parecidíssima com a minha, e ler um texto tão esclarecedor pondo em cheque amamentação prolongada, desmame precoce e criação com apego, assuntos esses que geram discussões tão acaloradas e, no mundo bloguístico-maternal, posições tão extremistas.

Em tempo: não estou aqui pra julgar ninguém. Sei que a OMS e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação até 2 anos ou mais. As informações eu tenho, ok?

Eu não acho amamentar a oitava maravilha do mundo. Pronto, falei. Nem por isso deixei de amamentar meus filhos exclusivamente e em livre demanda até os 6 meses, e o mais novo ainda mama (tem 10 meses). Nas infinitas madrugadas em que estive/ estou sentada amamentando, a última coisa que me vem à cabeça é a beleza do vínculo mãe-filho (na verdade estou mais: ou 1) cochilando, ou 2) torcendo para o bebê acabar logo e eu voltar pra cama, ou 3) as duas coisas). Mas acho também que, depois dos 6 meses, a escolha é da mãe continuar amamentando ou não, caso ela tenha essa possibilidade, sem a patrulha dos pró-desmame antes de 1 ano, nem a patrulha dos "vai mamar até não querer mais".

O que mais sinto falta nesse balaio de gato é o respeito à vontade da mãe. Eu, mãe, sinto sim falta de ter meu corpo só pra mim, de ter uma certa liberdade de ir e vir sem me preocupar se o meu filho vai passar fome (e aqui digo certa liberdade porque quem tem filho pequeno tem sua liberdade de ir e vir meio desfalcada). O desmame é mesmo uma espécie de segundo corte do cordão umbilical, ao mesmo tempo doloroso e libertador. Nem por isso quero menos contato com meu filho, ou quero proporcionar menos presença minha pra ele. E na boa? Fico meio chateada quando isso soa como se fosse egoísmo da minha parte.
Não sou psicóloga, sou engenheira, o que me desqualifica totalmente para análises psicológicas profundas. Mas sou prática para a maioria das coisas, até mesmo para as delicadas decisões que envolvem meus filhos. Sei perfeitamente que o meu leite é o melhor alimento do mundo para o meu filho. Sei também que o prejuízo a ele quando for desmamado é impossível de mensurar, se é que haverá (não, não vou fazer aquele discurso "eu cresci à base de leite Ninho e não morri, sou super saudável, blábláblá" - argumento infantil e inútil), seja físico ou psicológico. O que tenho pra mim é que se eu me sentir melhor, posso ser uma mãe melhor, o que pra mim é o melhor argumento de todos.

Continuo - e vou continuar por um bom tempo - doando muito de mim aos meus filhos. Continuo preparando a comida deles da maneira mais natural e saudável que consigo, preocupada que sou com a saúde e a educação alimentar deles. Continuo gastando todo o tempo que posso para brincar junto e observá-los, ensiná-los, corrigi-los se necessário. Continuo preferindo programas e passeios que eles também possam desfrutar, muitas vezes escolhendo os programas e passeios em função deles. E por um bom tempo, enquanto forem pequenos, vou deixar de fazer várias coisas ou por não ter tempo, ou por achar melhor passar o tempo disponível com eles. São minhas escolhas, não me arrependo (pelo menos não em público rsrsrsrs), e quero desfrutar cada minuto desse período em que os dois são crianças.

Respeito as escolhas de cada um. Acho que uma escolha baseada em informação de qualidade é fundamental. Sem pressão de nenhum lado, tem que ser uma escolha pessoal. O que funciona pra mim, pra minha família, talvez não sirva pra sua.

Que bom encontrar outras histórias reais. Que alívio ler textos esclarecedores, sem pretensões de formar opinião, mas sim de fomentar uma discussão bem embasada.

Comentários

  1. Oi Cintia! Só consegui vir agora ler seu texto...

    E olha, concordo perfeitamente. A gente precisa SIM se informar, precisa saber os prós e contras de cada escolha, precisa desconfiar de boa parte das coisas que a gente vê por aí (e não só nos assuntos maternos).

    Mas também precisa de autonomia pra tomar as próprias decisões, sem ter sempre alguém desqualificando. (E é incrível como sempre tem, qualquer que seja a decisão tomada. E principalmente vindo de outras mães/mulheres. Triste.)

    Beijo grande, e tamo juntas! =)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Triste mesmo, Ilana. Acho que sofremos todas de falta de solidariedade. Mas tenho esperança... De qualquer modo, não dá pra acertar sempre, nem por isso erramos em tudo, maior lição que a maternidade me ensinou.

      Excluir

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